Amadurecimento

by Fátima Regina Saldanha

Amadurecimento

“Irmãos, quanto ao modo de julgardes, não sejais como crianças; quanto à malícia, sim, sede crianças, mas, quanto ao modo de jogar, sede adultos”.

( I Coríntios,14:20)

Quem julga as pessoas e o mundo como responsáveis pela sua felicidade é infantil e inexperiente.

Quem assume seus erros e se responsabiliza por tudo o que está vivendo interior e exteriormente, traz consigo a maturidade da criatura sábia e sensata, que aprendeu a enxergar a vida com os olhos do discernimento.

A espiritualidade não nos aprecia ou julga com o “cedro da perfeição”; ao contrário, leva em conta as limitações de nossa condição evolutiva. Ela procura sempre estabelecer o equilíbrio da justiça, pedindo a quem muito sabe e pouco daquele que nada conhece.

São denominados “cuidadores” ou

“salvacionistas” os indivíduos que dispensam exagerada atenção e excessivo cuidado à vida das pessoas. Inconscientemente, sentem-se responsáveis por problemas, escolhas, atos, sentimentos, bem-estar e destino de outrem. Esse comportamento, desprovido de maturidade psicológica, manifesta desrespeito à individualidade e invasão dos limites alheios.

Essa “mentalidade salvacionista” pode ter origem na atitude de superproteção cultivada pelos pais na educação dos filhos.

Os adultos alegam que as crianças são ainda incapazes e indefesas e, assim, impedem-lhe o exercício diário do desenvolvimento de seu potencial – conjunto de qualidades de todo ser humano ou sua capacidade de realização. Por exemplo, amamentam-nas ou dão-lhes de comer numa fase onde elas, por si sós, são capazes de fazer sozinhas; com isso retardam seu amadurecimento, conservando-as dependentes e inseguras emocionalmente.

Por analogia, podemos comparar o ato da alimentação “física” com o ato da alimentação “emocional/ espiritual”. Quem tenta, obsessivamente, cuidar dos outros e controlá-los, sob a alegação de “amor ou caridade”, na realidade está apenas dificultando e retardando despertar das habilidades inatas deles.

“Irmãos, quanto ao modo de julgardes, não sejais como crianças; quanto à malícia, sim, sede crianças, mas, quanto ao modo de julgar, sede adultos”.

O procedimento mais benéfico que podemos adotar para facilitar nosso amadurecimento espiritual, é exercitar o auto-conhecimento e assumir total responsabilidade por tudo aquilo que sentimos, pensamos e fazemos, deixando que os outros aprendam também a se autojulgar e autorresponsabilizar-se através das próprias experiências.

Ninguém deposita em braços frágeis objetos pesados. Analogamente, a Divina Providência não nos apresenta um problema sem que tenhamos a capacidade de

resolvê-lo.

O que estamos vivendo hoje é produto de nossas escolhas, decisões e, portanto, é responsabilidade só nossa. Quando aceitarmos plenamente essa afirmação, teremos condições de discernir com maior clareza os limites das verdadeiras necessidades, nossas e dos outros.

Espírito Hammed

Psicografia: Francisco do Espírito Santo Neto

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